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Comida biológica: sim ou não?

Comida biológica: sim ou não?

“Ano novo, vida nova!” A máxima é antiga, mas faz sentido sempre que iniciamos um novo ciclo e decidimos ter hábitos mais saudáveis. Os produtos biológicos estão na moda e são cada vez mais procurados. Será a nossa vez de mudar de vida?

Publicado em 04-Jan-2019
O número de adeptos de produtos biológicos está a aumentar, e o de mercados e supermercados especializados também. Mas de que falamos quando falamos de produtos biológicos? É apenas uma moda passageira ou coisa de vegetarianos? Se pensa que se trata apenas de fruta e legumes, engana-se. Desde que cumpram os requisitos, qualquer produto – de higiene pessoal a ração para animais – pode ser bio. Quanto a novidade ou moda passageira, outro equívoco. A extensão dos terrenos dedicados à agricultura biológica duplicou na última década, e continua a crescer. Desenvolvida na década de 1940, a agricultura biológica surgiu com o objetivo de respeitar os animais, o Homem e o ambiente, já que os principais responsáveis pela contaminação dos solos e da água são os sistemas intensivos de agropecuária. São vários os engenheiros agrónomos que defendem que a produção biológica é o futuro da alimentação, com a vantagem que torna a nossa alimentação (e hábitos de vida) mais saudável, não interessa se somos vegetarianos ou adeptos de um bom bife.
Sem pesticidas e conservantes

Vantagens e não só… Inequivocamente, a principal vantagem dos produtos biológicos é a sua contribuição para melhorar a saúde do planeta. As práticas de agricultura biológica respeitam mais a vida animal e os equilíbrios naturais, travando a degradação do solo e do meio ambiente, diminuindo a contaminação de águas subterrâneas e solos e minimizando a libertação de produtos tóxicos para o ecossistema, o que contribui para a reversão do aquecimento global.O mesmo se aplica à nossa saúde. Especialistas defendem que existem benefícios nutricionais comparativamente aos produtos de agricultura convencional, com os produtos biológicos a apresentar maior teor de alguns minerais e vitaminas, como o fósforo, o magnésio, o cálcio e a vitamina C. Além disso, sendo mais ricos em antioxidantes, os produtos bio podem ajudar na prevenção de algumas doenças. É claro que devido à ausência de pesticidas, a fruta e os legumes têm uma aparência menos apelativa, mas, por outro lado, os bio têm reputação de ter melhor sabor, o sabor genuíno e original dos alimentos. Mas nem tudo são rosas e também há desvantagens. Os produtos à base de carne e peixe têm um período de conservação menor devido à ausência de conservantes químicos; enquanto iogurtes, leite, manteiga e natas têm um sabor mais forte e períodos de conservação menores. Depois – e esta parece ser a principal desvantagem para a grande maioria das pessoas –, são produtos mais caros do que os produtos não biológicos. Isto acontece porque a agricultura biológica exige um grande trabalho manual e personalizado, assim como técnicas de adubo e crescimento totalmente naturais, o que encarece o produto final.


Em Espanha e Dinamarca chamam-lhes ecológicos, enquanto nos países anglo-saxónicos são orgânicos, mas seja como for, a regulamentação “bio” impõe normas de produção rigorosas, tendo sido adotadas recentemente pelo Conselho Europeu novas regras que visam a uniformização da produção biológica e da rotulagem de produtos biológicos em toda a UE.
Essencialmente, trata-se de uma agricultura que não recorre à utilização de agroquímicos. A fruta, os legumes e os cereais devem ser derivados de sementes sem OGM (Organismos Geneticamente Modificados) e cultivados como sem recurso a fertilizantes e adubos químicos, herbicidas, pesticidas ou inseticidas, evitando, assim a degradação do ambiente e respeitando o equilíbrio da natureza ao sustentar vários ecossistemas, recorrendo a métodos de rotação de culturas, utilização dos inimigos naturais dos parasitas das plantas ou reciclagem de matéria orgânica. Quanto aos produtos biológicos de origem animal, como a carne, o peixe, os ovos ou o leite, é proibida a utilização de hormonas para o crescimento e farinhas vegetais não orgânicas, os antibióticos são limitados e os animais devem ter espaço para que cresçam e vivam de forma saudável. Os produtos transformados, como o iogurte ou o queijo, devem ser produzidos com pelo menos 95% de ingredientes de origem biológica e sem recurso a aditivos ou conservantes. Da mesma forma, os produtos cosméticos devem ser livres de químicos, pesticidas e substâncias derivadas do petróleo, contendo antes ingredientes ativos biológicos provenientes de matérias-primas vivas e frescas.

Depois, é preciso ter atenção ao que compra. Nas prateleiras dos supermercados encontram-se muitos alimentos com etiquetas que os identificam como “natural”, “ecológico” ou “saudável”, mas que não estão certificados com o selo verde – o logótipo europeu de agricultura biológica, o que significa que não está garantida a produção biológica. Também é verdade que é impossível garantir produtos 100% orgânicos (um campo de agricultura biológica não está imune à poluição trazida pelo vento ou chuva), sendo a quota autorizada de substâncias não orgânicas de 5%. Ainda assim, estudos recentes a produtos certificados como biológicos encontraram vestígios de pesticidas sintéticos proibidos no setor.
Preocupante? Com certeza, mas seja como for, não deveríamos ficar indiferentes às vantagens dos bio, tal como a conceitos como ecologia, comércio justo e sustentabilidade, estejamos nós a falar de pesticidas ou de processos de fabrico seguros e não poluentes e de embalagens que devem ser escolhidas com o mais estrito respeito pelo meio ambiente, utilizando formatos recicláveis e com baixo consumo de energia.
Preparado para repensar a lista de boas decisões para o ano que agora começa?

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