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MODA ÉTICA E SUSTENTÁVEL

Existe alguma diferença entre moda ética e moda sustentável? Estes conceitos são muitas vezes utilizados indistintamente para se referir à nova onda na indústria da moda que quer um modelo de negócios totalmente diferente do atual conhecido como fast fashion. Neste post vou tentar lançar alguma luz sobre os dois conceitos e sua utilização pelos varejistas(1) e os meios de comunicação.

MODA ÉTICA face a MODA SUSTENTÁVEL

Embora não pode haver uma definição unânime de qualquer coisa “ética”, uma vez que essa avaliação depende de um ponto de vista pessoal sobre o que é um comportamento moralmente aceitável, muitos insistem em atribuir a palavra a qualquer coisa relacionada com os direitos humanos no local de trabalho e condições de trabalho. A moda ética, portanto, seria qualquer coisa feita sob estas normas. Da mesma forma, as pessoas definem a moda sustentável como uma categoria separada, onde os métodos e processos utilizados são menos poluentes ou ajudam a diminuir o impacto ambiental da produção de vestuário. Mas um conceito mais holístico dentro do movimento slow fashion diz que tudo é ética, desde as preocupações ambientais, direitos trabalhistas e transparência da cadeia de abastecimento.

A moda ética tem um conceito mais ampliado, mas para julgarmos qualquer coisa como “ética”, surge uma série de valores implícitos, percepções culturais e pontos extremamente subjetivos de vista; é por isso que acredito que é trabalho do consumidor  julgar se algo é ético ou não. Estas são algumas características que são geralmente apontadas como ética:

Comércio justo

Empregar mulheres e determinados grupos étnicos
Feito sem componentes animais
Sem testes em animais
Doar parte dos lucros para uma instituição de caridade
Feito num país desenvolvido
Feito à mão
Pagar salários justos
Contribuir para preservar as tradições de uma minoria étnica
Revelar os locais de produção e as políticas trabalhistas
O produto em si aumenta a consciência ou promove um ideal ou causa

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Se você considera essas características éticas ou não, depende de suas opiniões pessoais, por isso, tudo o que o fabricante pode fazer é indicar claramente as suas características especiais e motivos, mas no final das contas, é o consumidor quem julga e dá credibilidade a uma empresa e decide se alguma dessas características merecem sua preferência.

Aqui estão algumas das características mais citadas ao descrever a moda sustentável:

Peças feitas com fibras eco amigáveis como algodão orgânico, cânhamo, linho, rami, Tencel entre outras (que precisam de menos produtos químicos e água para serem cultivados) e às vezes certificadas por um organismo internacional.
Tecidos tingidos com corantes naturais
Tecidos reciclados feitos de tecidos descartados e resíduos têxteis
Upcycling de materiais usados
Uso de colas menos tóxicas
Roupas feitas para durar por um longo tempo

No conceito slow fashion, a transparência do método de fabricação é o cerne de qualquer coisa que possamos valorizar como ética, então é fácil descobrir qualquer uma das características acima sobre um produto. Mas mesmo no slow fashion, as peças têm que ser bem feitas e com um bom design pois tudo se trata de moda. A ética e transparências como conceitos numa marca  somam-se à beleza, funcionalidade e preço dos produtos para atrair os consumidores. Ninguém vai querer comprar uma roupa feia e mal acabada só porque foi feita de forma “ética”.

UMA NOVA ABORDAGEM PARA A MODA ÉTICA

Para se tornar “mais ético” como consumidor de moda, significa também mudar o comportamento comprando menos roupas novas, evitar grandes redes de fast fashion, prestigiar marcas que produzem moda ética, comprar roupas usadas em brechós (2), tirar o máximo proveito das roupas que você já tem, usar detergentes menos poluentes e encontrar novos usos para peças obsoletas também ajudam o meio ambiente.

moda ética-min

É bom lembrar que a estética de um produto vem em primeiro lugar, porque ninguém vai comprar um produto que não é desejável. A transparência significa que a empresa, pelo menos, pensou nos aspectos como fabricação e os direitos trabalhistas para indicar no site ou para fornecer informação clara via e-mail, canais sociais ou telefone.  A consistência é uma boa palavra pois a história e as ações de marketing de uma empresa devem ser bem claras, você não pode falar sobre o compromisso com a sustentabilidade, por exemplo, para em seguida, continuar a utilizar métodos “tradicionais” de fabricação na maioria de suas operações, fazendo apenas um par de camisetas “sustentáveis” para enganar os consumidores.

Lembre-se que hoje temos internet e nada fica escondido por muito tempo. A H&M faz publicidade com sua “linha consciente” focada na “ética e sustentabilidade” mas ao mesmo tempo, instigar o consumismo desenfreado com a sua linha Balmain X H&M produzida em Bangladesh sabe-se lá de que forma. Todas essas grandes redes de fast fashion são especialistas em greenwashing como você pode ver neste post.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

Ethical Fashion Forum define a moda ética de uma forma mais ampla, em que as condições ambientais e de trabalho são contempladas:

“Para o EFF, a moda ética representa uma abordagem à concepção, fornecimento e fabricação de roupas que maximiza benefícios [vs. lucros] para as pessoas e comunidades, minimizando o impacto sobre o meio ambiente. A moda ética é um processo de produção que não tem impacto negativo sobre o ambiente ou sobre as pessoas envolvidas na produção. Ela engloba um sentido de responsabilidade social que se relaciona com os materiais utilizados, o ambiente onde eles são produzidos e as pessoas envolvidas na produção, que recebem um salário justo e boas condições de trabalho”

Para Orsola de Castro, co-fundadora do Fashion Revolution, a moda ética é:

“Eu acho que o termo ético é aberto à interpretação, pois a minha visão do que é ético provavelmente pode ser diferente da sua, pois é altamente pessoal. Eu costumo usar o termo sustentável quando me perguntam sobre definições, uma vez que é um termo definível, e não uma interpretação pessoal. Sustentável significa algo que não se esgota por meio da extração material, não esgota através da produção e não polui através de qualquer um dos fatores acima, e pode reciclar as matérias-primas que chegaram ao fim da sua vida em um novo produto. Basicamente uma economia circular de produção Cradle to Cradle.”(3)

CONCLUSÃO

A ética é o que você quer que ela seja, e há algumas pessoas que utilizam técnicas de medo para fazer você comprar coisas. Informações incompletas, tendenciosas e deliberadamente incorretas são passadas ​​constantemente para os consumidores e isso nunca deveria ser o padrão. Você tem o poder de decidir o que comprar e o que apoiar e a melhor maneira de ser um consumidor ético é ter o máximo de informações possível.

(1) Varejo (português brasileiro) ou retalho (português europeu) é a venda de produtos ou a comercialização de serviços em pequenas quantidades, ao contrário do que acontece na venda por atacado, o varejo é a venda direta ao comprador final, consumidor do produto ou serviço, sem intermediários.Fonte

(2) Um brechó (português brasileiro) ou adelo, adeleiro(português europeu) é uma loja de artigos usados, principalmente roupas, calçados, louças, objetos de arte, bijutarias e objetos de uso doméstico. Os sebos  -alfarrabistas em Portugal -são os seus equivalentes, vendendo apenas livros, apesar de brechós também poderem vender livros.[1] Geralmente atraem um público mais alternativo, artistas em geral e pessoas de baixa renda e/ou desempregados, bem como aqueles à procura de artigos originais e únicos.[1] Alguns funcionam também por consignação (onde os donos dos objetos deixam os artigos no brechó e recebem uma parte na venda) e/ou por escambo (na base de trocas).[1]  Fonte

(3)  O que é cradle to cradle?   Cradle to Cradle ou C2C em inglês quer dizer ‘do berço ao berço’.  Essa expressão foi título de um livro-manifesto publicado em 2002 pelo arquiteto americano William McDonough e pelo engenheiro químico alemão Michael Braungart, que veio a tornar-se uma das obras mais influentes do pensamento ecológico mundial. (No Brasil, o livro foi publicado em 2014 pela editora Gustavo Gilli, com o título Cradle to Cradle – Criar e reciclar ilimitadamente). O pensamento ‘do berço ao berço’ surge em oposição à ideia de que a vida de um produto deve ser considerada ‘do berço ao túmulo’ – uma expressão usada na análise de ciclo de vida para descrever o processo linear de extração, produção e descarte. 

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Vídeo

  • Conheces alguma marca de moda ética onde vives?
  • É um setor, (campo, ramo, domínio) com futuro?
  • Como é a tua relação com o consumo de roupa e complementos?


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